O 1º Juízo das Garantias de Goiânia concedeu uma medida protetiva de urgência para uma mulher que vinha sofrendo graves ameaças de morte, perseguições e xingamentos diários pelo aplicativo WhatsApp por parte de um comerciante local que trabalha nas proximidades de sua residência. O grande diferencial e marco jurídico deste caso é que as punições e proteções previstas na Lei Maria da Penha foram integralmente aplicadas mesmo sem o agressor possuir qualquer histórico de relacionamento amoroso, namoro, casamento ou vínculo familiar com a vítima, contrariando o senso comum de que essa legislação se limita apenas a casais. A decisão do magistrado seguiu rigorosamente uma orientação recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu que a proteção especial do Estado deve ser estendida a qualquer contexto de violência baseada no preconceito ou discriminação de gênero, independentemente de o crime acontecer dentro do ambiente doméstico ou em vias públicas. De acordo com as investigações, o homem iniciou a campanha de assédio e homofobia logo após ver a vítima acompanhada de sua namorada na região. Com a nova ordem judicial expedida, o agressor está obrigado a se manter a uma distância mínima de 200 metros da mulher e de seus familiares, além de estar terminantemente proibido de procurá-la por meios virtuais ou expor seus dados pessoais na internet, correndo o risco de ser preso em flagrante imediatamente caso desobedeça a qualquer uma das restrições.
